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Homeopatia

O QUE É A HOMEOPATIA?

Melhor do que as palavras que poderiamos usar com o propósito de vos dar uma definição do que seja o conceito de homeopatia, são as palavras do próprio "pai" da terapêutica homeopática, o médico alemão Christian Friedrich Samuel Hahnemann, no seu “Organon da Arte de Curar”. Aconselhamo-vos, portanto, a lerem os treze parágrafos que seleccionamos de entre os duzentos e noventa e um que o Organon tem, e que exprimem bem o quadro geral acerca do que é a homeopatia. Depois, voltaremos ao conceito mais adiante.


"ORGANON"

§1 A única e elevada missão do médico é a de restabelecer a saúde dos pacientes, ou seja, curá-los das suas enfermidades.

§5 É de grande utilidade e ganho para o médico, tudo o que se relaciona com as causas mais prováveis que desencadeiam as doenças agudas. Nas doenças crónicas, é também de grande utilidade o conhecimento dos seus pontos mais significativos, o que o habilita a descobrir a sua causa fundamental, que em regra é devida a um miasma. Nestas investigações realizadas com o objectivo primordial de atingir a cura, deverá tomar-se nomeadamente em conta:
§6 O médico deverá constatar com precisão todas as alterações na saúde do paciente, quer ao nível físico quer mental. Estas, podem ser percepcionadas pelo enfermo, observadas por todos aqueles que com ele convivem e pelo próprio médico durante a fase do interrogatório. O conjunto de sinais e sintomas assim obtidos retratam a doença na sua integridade. Captada a totalidade sintomática estará o médico em condições de remover a enfermidade, porquanto, removidos os seus sinais removida será a sua causa interna.

§11 Na doença, a força vital é inicialmente afectada, de forma dinâmica (resultante de energia), permitindo ao corpo manifestar as sensações desagradáveis em forma de sintomas. Da mesma forma age o remédio homeopático na força vital, cada um, com as suas características específicas, e não com as de outros medicamentos. A acção é dinâmica, não material, e quanto menor a matéria e melhor dinamizada, maior será o seu efeito.

§25 Todavia, o único oráculo infalível da arte de curar, a experiência pura, ensina, em todos os experimentos criteriosos, que realmente aquele medicamento que provou ser capaz de produzir em sua actuação sobre organismos humanos sadios, a maior parte dos sintomas semelhantes aos que se encontram nos casos de doença a ser curados, em doses adequadamente potencializadas e reduzidas, também remove, de maneira rápida, radical e duradoura, a totalidade dos sintomas desse estado mórbido, isto é, toda a doença em curso, transformando-a em saúde, e que todo medicamento cura, sem excepção, as doenças cujos sintomas mais se assemelham aos seus, não deixando de curar nenhuma delas.

§104 Quando conseguimos a totalidade sintomática de qualquer doença, teremos completado a parte mais difícil do trabalho médico e um guia a seguir durante o tratamento, para saber qual o efeito do medicamento e as mudanças ocorridas no estado do paciente. Em um novo exame do paciente ele só precisará riscar da relação os sintomas que apresentaram melhora, marcará os que permanecem e acrescentará os novos que possam haver surgido.

§105 A segunda parte do trabalho do médico é o de conhecer o poder patogenético das drogas, para escolher aquela droga que possua o conjunto de sintomas artificiais semelhantes à totalidade dos sintomas das doenças naturais.

§106 Devemos conhecer todos os efeitos patogenéticos de cada um dos diversos medicamentos (todos os sintomas e alterações mórbidas provocados no indivíduo sadio, durante a experimentação).

§124 Para esse fim, é preciso empregar cada substância medicamentosa completamente só e perfeitamente pura, sem misturá-la com qualquer outra substância estranha ou tampouco ingerir alguma outra de natureza medicamentosa no mesmo dia nem nos subsequentes, enquanto se deseja observar os efeitos do medicamento.

§146 O terceiro ponto no exercício de um verdadeiro artista da cura concerne ao emprego mais adequado das potências morbíficas artificiais (medicamentos) que foram experimentadas em indivíduos sadios a fim de obter uma cura homeopática das doenças naturais.

§153 Nessa procura do meio de cura homeopático específico, isto é, nessa confrontação do conjunto característico dos sinais da doença natural contra a série de sintomas dos medicamentos existentes a fim de encontrar um cujas potências mórbidas artificiais correspondam, por semelhança, ao mal a ser curado, deve-se, seguramente, atentar especialmente e quase que exclusivamente para os mais notáveis/estranhos, singulares, incomuns e peculiares (característicos) sinais e sintomas do caso de doença, pois na série de sintomas produzidos pelo medicamento escolhido, é principalmente a estes que devem corresponder sintomas muito semelhantes, a fim de que seja mais conveniente à cura. Os sintomas mais gerais e indefinidos: falta de apetite, dor de cabeça, debilidade, sono inquieto, mal-estar etc., merecem pouca atenção devido ao seu carácter vago, se não puderem ser descritos com mais precisão, pois algo assim geral pode ser observado em quase todas as doenças e medicamentos.

§273 Em nenhum caso de tratamento é necessário e, por conseguinte, não é admissível administrar a um doente mais do que uma única e simples substância medicamentosa de cada vez. É inconcebível que possa existir a menor dúvida acerca do que está mais de acordo com a natureza e é mais racional: prescrever uma única substância medicamentosa simples e bem conhecida num caso de doença ou misturar várias diferentes. Na única, verdadeira, simples e natural arte de curar, a Homeopatia, não é absolutamente permitido dar ao doente duas substâncias medicamentosas diferentes de uma só vez.

§274 O verdadeiro médico encontra nos medicamentos simples, administrados exclusivamente e sem estarem combinados, tudo o que possa desejar; ele conhece o sábio provérbio:” é errado tentar empregar meios complexos quando bastam os simples”, e jamais pensar em dar como medicamento qualquer substância que não seja simples e única; outro motivo é que os medicamentos simples são inteiramente experimentados, e é ainda impossível prever como duas ou mais substâncias medicinais poderiam conjugadas, mutuamente alterar e obstar as acções de cada uma no organismo humano; sabe-se que a totalidade dos sintomas de uma substancia simples, presta ajuda eficiente por si só, se for homeopaticamente escolhida; e supondo que o pior aconteça que não foi escolhida rigorosamente de acordo com a semelhança de sintomas, não servindo, portanto, é ainda tão útil (por promover nosso conhecimento de agentes terapêuticos) porque, pelos novos sintomas excitados por ela em tais casos, os sintomas que esta substância medicinal já havia demonstrado em experiências, na saúde do corpo humano, se confirmam, vantagem esta que é perdida pelo emprego de todos os remédios compostos.


Samuel Hahnemann

Hahnemann O Dr. Samuel Christian Frederic Hahnneman, nasceu em Meissen, Alemanha, no dia 10 de Abril 1755 e é considerado o fundador da homeopatía por ter concretizado a implementação da lei da similitude "similia similibus curantur" na sequência de uma experiência pessoal realizada com china offici nalis em 1790.

Mas muitos séculos antes de Hahnemann, Hipócrates (460-377 A.C) considerado o "pai da medicina" que nasceu na ilha grega de Cós onde foi professor, já havia enunciado no Corpus Hipocraticus os princípios que definem as maneiras possíveis de tratar um paciente. Para Hipócrates, a função do médico deveria ser a de ajudar a vis medicatrix naturae, ou seja, a força natural de cura, podendo recorrer quer à similia similibus curantur – os semelhantes curam os semelhantes -, quer à contraria contrariis curantur - os contrários curam os contrários.

Como decerto se aperceberam, a metodologia subjacente ao método terapêutico homeopático é diferente da normalmente utilizada pela medicina alopática. A homeopatia unicista não cuida de saber da doença ou patologia em concreto que afecta o paciente. Daí o aforismo conhecido nos meios académicos "em homeopatia não existem doenças, somente existem doentes". Quando o homeopata procede à anamnese, encara o paciente como sendo uma realidade multíplice que abrange variados sinais e sintomas físicos, emocionais e mentais, e procurará identificar a causa primeira que lhe provocou a alteração da energia vital e conduziu à enfermidade.

Podemos sintetizar as diferenças entre a homeopatia e a alopatia em cinco aspectos:

1) A homeopatía vê a doença como um conjunto de desequilíbrios que afectam o paciente (físicos, emocionais e mentais) segundo uma perspectiva de globalidade, e a alopatía encara a enfermidade segundo uma perspectiva material: a doença em si, e não o paciente;

2) A experimentação ou ensaio do remédio (patogénese) é realizada em pessoas sãs e tendo em linha de conta as reacções psicológicas do paciente, enquanto que na alopatía a experimentação é realizada em pessoas doentes, utiliza o método placebo nos seus ensaios clínicos e busca somente os efeitos específicos relativos à doença;

3) A homeopatía utiliza substâncias capazes de produzir a mesma enfermidade numa pessoa sã – lei da similitude, similia similibus curantur – e a alopatía utiliza substâncias contrárias à doença aplicando o princípio contraria contrariis curantur;

4) Na homeopatia é observado o principio da infinitesimalidade – corolário da lei de similitude – utilizando-se doses pequenas e muito diluídas, sem toxicidade, enquanto que a alopatía utiliza doses ponderais, mais fortes e concentradas;

5) Daqui resulta uma outra importante diferença que tem a ver com os efeitos secundários dos remédios: em homeopatia são mínimos enquanto na alopatía por vezes temos situações de alto risco.